Avaliação tromboelastométrica de equinos submetidos à trombose jugular experimental

[Cod. Trabalho: 1486]

PÔSTER

AVALIAÇÃO TROMBOELASTOMÉTRICA DE EQUINOS SUBMETIDOS À TROMBOSE JUGULAR EXPERIMENTAL

DIETRICH PIZZIGATTI1; DANIELE SILVANO GONÇALVES1; THAYS CAMPOS TRENTIN1; REGINA KIOMI TAKAHIRA1; ANA LIZ GARCIA ALVES1; CELSO ANTÔNIO RODRIGUES1; MARCOS JUN WATANABE1; CARLOS ALBERTO HUSSNI1.
1.FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA/UNESP, BOTUCATU – SP – BRASIL.

Palavras-chave: Tromboelastometria;tromboflebite jugular;equinos;Anel de Vollmar;Cateter de Fogarty

Resumo

A trombose jugular nos equinos ocorre com frequência em situações iatrogênicas, secundárias a quadros endotoxêmicos e a coagulação vascular disseminada, podendo levar ao óbito. O tratamento preventivo com agentes antitrombóticos tem reduzido a gravidade e frequência de casos, porém em algumas condições a intervenção cirúrgica pode ser necessária. Além disso, a avaliação hemostática é de extrema importância para monitorar os riscos de hipercoaguabilidade sistêmica e também a eficiência do tratamento anticoagulante instituído. A análise de estados de hipercoagulabilidade vem sendo realizado pela tromboelastometria (TEM) que é capaz de medir in vitro a função hemostática global de uma amostra de sangue, documentando a interação das plaquetas com os fatores de coagulação, detectando tanto o estado de hipocoagulabilidade quanto de hipercoagulabilidade. Este trabalho descreve o comportamento hemostático na trombose jugular experimental de dez equinos hígidos, avaliados durante 19 dias por tromboelastometria, contagem de plaquetas, hematócrito e fibrinogênio, em quatro momentos de avaliação: pré-indução à flebite (D0-MPF); três dias após a indução da tromboflebite (D3-MFM); 6 dias após, – momento de tromboflebite – (D9-MT) imediatamente antes a trombectomia; e 54 (D16) e 126 (D19) horas após as trombectomias (MPT). A trombectomia foi realizada com Anel de Vollmar (grupo 1, n=5) e cateter de Fogarty (grupo 2, n=5). Todos os animais receberam heparina, dose decrescente de 300 a 150 UI/Kg, via subcutânea a cada 12 horas, durante dez dias. Os exames físicos foram realizados diariamente até o 19° dia. Foram colhidas amostras de sangue citratado para a TEM (ROTEM® – Delta) e coagulograma (TTPA e TP), e em EDTA para a dosagem de fibrinogênio e contagem de plaquetas nos momentos descritos acima. Para a comparação entre os grupos e momentos foi aplicado teste t. As análises foram realizadas com nível de significância de 5%. Não foi verificada diferença significativa entre os grupos em nenhum dos momentos. O procedimento de indução da tromboflebite foi eficaz. Houve redução do tempo de coagulação (CT) e do tempo de formação do coágulo (CFT), com aumento da lise máxima (LM) até o momento D9-MT, o que demonstra consumo dos fatores de coagulação e maior fibrinólise até antes dos animais receberem os respectivos tratamentos. O fibrinogênio apresentou elevação de sua concentração até o D9-MT sugerindo a ocorrência de um processo inflamatório concomitante. A avaliação com o reagente intem apresentou prolongamento do CT e do CFT e redução do ângulo α e da LM a partir do D16 e D19, indicando o efeito do tratamento com heparina. Da mesma forma, o TTPA somente apresentou diferenças significativas entre os momentos pré (D0, 3 e 9) e pós (D16 e 19) tratamento cirúrgico e anticoagulante. Tanto o intem quanto o TTPA avaliam a via intrínseca da cascata de coagulação, demonstrando que tais alterações são decorrentes principalmente do tratamento anticoagulante. A diminuição do número de plaquetas nos momentos D16 e D19 justifica-se pelo uso da heparina bem como pela tendência à retrombose. Na avaliação com reagente extem ocorreu apenas o prolongamento do CT e CFT entre os momentos D0 e o D3 e D9, o que sugere consumo dos fatores de coagulação devido à indução da trombose. O TP não apresentou diferenças significativas, demonstrando maior sensibilidade da TEM na avaliação da via extrínseca da coagulação. Os resultados obtidos demonstram que a tromboflebite jugular experimental leva a alterações clínicas locais, com comprometimento tecidual e da via extrínseca da coagulação (extem) porém sem evidências de um estado sistêmico de hipercoagulabilidade, pois não houve aumento do ângulo alfa e da firmeza máxima do coágulo (MCF). Além disso, a TEM se mostrou útil e mais sensível que os testes convencionais de coagulação (TP, TTPA e fibrinogênio) para o acompanhamento da terapia anticoagulante, conforme já demonstrado em outros trabalhos. Agradecimento: FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) processo 23467-7/2011.

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