Surto de leucoencefalomalácia equina relacionada a feno contaminado

[Cod. Trabalho: 1361]

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Clínica de Equídeos

SURTO DE LEUCOENCEFALOMALÁCIA EQUINA RELACIONADA A FENO CONTAMINADO

CYNTHIA DO PRADO VENDRUSCULO1; NATHÁLIA CLEMENTE FRIAS1; CAROLINA BATAGLIN DE CARVALHO1; WILSON ROBERTO FERNANDES1; CARLA BARGI BELLI1; RAQUEL YVONNE ARANTES BACCARIN1.
1.FMVZ-USP, SÃO PAULO – SP – BRASIL.

Palavras-chave: FUMONISINA;FUSARIUM MONILIFORME;FENO DE ROLO;NEUROLÓGIO;EQUINO

Resumo

A leucoencefalomalácia é uma intoxicação que acomete o sistema nervoso central dos equinos, gerando manifestações clínicas como andar em círculos, incapacidade de deglutir, cegueira aparente, apoio da cabeça contra objetos, quedas e convulsões tônico-clônicas. A intoxicação pela fumonisina provoca o quadro neurológico, toxina esta produzida pelo Fusarium moniliforme, podendo também ser produzida pelo Fusarium verticillioides. Muitas vezes o animal acometido vai a óbito e, quando sobrevive, as lesões são permanentes. Esse fungo cresce e produz sua toxina principalmente em milho e outros cereais, sendo raro na forragem. No presente surto 13 equinos de duas propriedades distintas, que tinham em comum o mesmo fornecedor de feno enfardado em rolos, foram acometidos de quadro neurológico com sialorréia, apatia, ataxia, sudorese e decúbito, evoluindo para o óbito em aproximadamente 24 horas. Um destes animais foi encaminhado para o Hospital Veterinário da FMVZ-USP com evolução de aproximadamente 14 horas. Na propriedade o animal já havia sido tratado por veterinário responsável mas houve grande piora do quadro de ataxia e fasciculação muscular. Já no hospital o tratamento suporte foi instituído com fluidoterapia, manitol e tiamina, mas o quadro apenas piorou, o animal veio a decúbito, apresentando também excitação, sudorese intensa, cegueira e convulsões. Quando completou aproximadamente 24 horas de evolução o animal veio a óbito. Na análise da alimentação fornecida ao animal observou-se que o feno de rolo fornecido ao animal estava mofado, sendo este submetido à cultura e análise toxicológica resultando no crescimento de Fusarium moniliforme e isolamento de fumonisina na amostra. Na necropsia observou-se achatamento dos giros cerebrais e amolecimento do córtex frontal e parietal, fechando no exame histopatológico quadro de leucoencefalomalácia. O quadro apresentado é o mesmo relatado na literatura, sendo o tratamento instituído condizente também. Os principais diagnósticos diferenciais são os quadros clínicos de raiva, encefalite viral equina e encefalopatia hepática, podendo ser provocada por diversas substâncias hepatotóxicas, como pela ingestão de alimentos contaminados por aflatoxinas produzidas pelo fungo Aspergillus flavus. O quadro histopatológico é semelhante a casos de infecção por Trypanosoma evansi e Aspergillus niger, sendo o último associados a quadro diarreico e neurológico em indivíduos imunossuprimidos. Há diversos relatos de surtos provocados pelo fornecimento de concentrado ou milho mofado, porém não há relatos de surtos provocados pelo feno contaminado. Na literatura existe apenas um relato de forragem contaminada provocando quadro neurológico em cervídeos, mas não em equinos. Na análise do feno havia de 0,02 a 0,12 µg/g de fumonisina causando o quadro neurológico, discordando de outros estudos, nos quais considera-se que o alimento oferece risco apenas com concentrações acima de 10 µg/g da toxina. Uma explicação para esse fato é a susceptibilidade individual, e outra seria que a amostra colhida não representava a parte que foi ingerida pelo animal, podendo haver uma variação entre elas pelo fungo não contaminar homogeneamente o feno. O surto ocorreu em um inverno atípico, frio e chuvoso, condição ideal para produção de toxina pelo fungo, alta humidade e baixa temperatura. Os fenos enfardados em rolos normalmente ficam expostos as intempéries climáticas propiciando ambiente ideal para o crescimento do fungo. O prognóstico da enfermidade é ruim, porém o diagnóstico impediu que mais animais ingerissem o feno e viessem a óbito. No presente caso o feno foi alimento contaminado causando o quadro neurológico de leucoencefalomalácia, sendo confirmada contaminação com crescimento do fungo e a presença da toxina. Ressalta-se com isso a importância do adequado manejo destes fenos para prevenção da enfermidade.

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